terça-feira, 5 de junho de 2012

Polícia suspeita que sequestradores queriam roubar banco, mas crime deu errado Os bandidos mantiveram reféns presos por mais de 12 horas no Bairro Fernão Dias. Na abordagem, eles usavam coletes escritos 'Polícia Civil'. Um membro do grupo já foi preso por "crime do sapatinho"
Luana Cruz -
Guilherme Paranaiba -
Publicação: 05/06/2012 12:07 Atualização: 05/06/2012 12:23

Pânico vivido pelo marido da gerente de banco na varanda do apartamento. Ele foi usado como escudo em um momento da negociação  (Sidney Lopes/EM DA Press)
Pânico vivido pelo marido da gerente de banco na varanda do apartamento. Ele foi usado como escudo em um momento da negociação
Os bandidos que sequestraram uma gerente do Banco do Brasil e a família dela no fim da noite de segunda-feira tinham o objetivo de cometer o “crime do sapatinho”. A polícia ainda apura o caso, mas as investigações devem caminhar por essa linha. Essa modalidade criminosa se caracteriza quando os assaltantes fazem um funcionário de agência refém, para obrigá-lo a se dirigir até o banco e liberar dinheiro. No caso em que os bandidos mantiveram reféns presos por mais de 12 horas no Bairro Fernão Dias, Região Nordeste de Belo Horizonte, o crime acabou frustrado.

Em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira, o comando do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), do 16º Batalhão da Polícia Militar (PM), e os chefes do Departamento de Operações Especiais (Deoesp) e Departamento de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) explicaram que os bandidos foram vistos por militares em patrulhamento, por isso o crime deu errado.

 (Paulo Filgueiras/EM DA Press)

O sequestro teve início por volta das 18h de segunda-feira. Conforme relato de uma vizinha à PM, a família foi abordada na porta do prédio por dois homens e uma mulher, todos vestindo coletes com os escritos “Polícia Civil”. A vizinha achou a movimentação suspeita e ligou para o 190.

Uma equipe da PM que fazia patrulhamento na área se deslocou para a Rua Democrata, 540, para checar a denúncia. Eles flagraram a ação dos suspeitos na garagem do prédio, o que desmontou toda a estratégia dos bandidos. Quando se viram encurralados, os assaltantes subiram para o apartamento, localizado no terceiro andar do prédio de cinco pavimentos. Outros dois criminosos já estavam no apartamento com parte da família.

Veja fotos do sequestro

O homem que comandou as negociações com a polícia, Rosiel Vieira do Santos, 31 anos, gritou “perdi, perdi” no momento em que foi flagrado pelos militares na entrada do edifício. Nesse momento, ele sinalizou que se tratava de um sequestro e exigiu a presença do Gate.

Desde então, policiais se mobilizaram na negociação com os sequestradores. Por volta de 0h30, as filhas do casal foram liberadas. A menina, de 4 anos de idade, foi retirada do apartamento por uma tia. Meia hora depois foi libertada a outra criança, uma menina de apenas 2 anos. Permaneceram sob o poder dos grupo a gerente, o marido dela, que também é bancário, e uma funcionária da família. Eles foram libertados por volta de 7h20 desta terça-feira, quando os grupo de sequestradores se rendeu.
Rosiel Vieira do Santos, 31 anos, comandou as negociações no sequestro durante a madrugada  (Divulgação Polícia Civil )
Rosiel Vieira do Santos, 31 anos, comandou as negociações no sequestro durante a madrugada
Autuação

Os criminosos que participaram do crime foram autuados em flagrante por tentativa de sequestro. Segundo a polícia, a maior suspeita de que a intenção era o “crime do sapatinho” está ligada à Rosiel. Esse suspeito já foi preso por duas ocorrências parecidas e, segundo informações preliminares da polícia, ele cumpriu pena durante 10 anos. A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) não tem registros de Rosiel em unidades prisionais de Minas Gerais.

A identificação do outros quatro envolvidos no sequestro não foi divulgada pela polícia. Os investigadores desconfiam que todos tenham dado nomes falsos, inclusive a mulher. Ela disse que é menor, mas a polícia ainda vai conferir essa informação.

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