terça-feira, 5 de junho de 2012

Trio vestido de policiais civis mantém família refém no bairro Fernão Dias
04/06/2012 20h07

JOELMIR TAVARES/MATEUS RABELO
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FOTO: ALISSON GONTIJO
Sequestrador saiu na varanda da casa com a arma na cabeça da gerente; as filhas e o marido dela também são reféns
Um casal de bancários e as duas filhas pequenas, além de uma babá, foram feitos reféns por três bandidos, vestidos de policiais civis, no bairro Fernão Dias, na região Norte de Belo Horizonte. A família foi abordada quando chegava, de carro, ao prédio onde mora, por volta das 18h desta segunda-feira (4) e, desde então, passam por momentos de tensão e ameaças. Uma vizinha desconfiou dos criminosos e chamou a polícia. Até o momento, os bandidos libertaram as duas filhas do casal, de 2 e 4 anos; a mais velha por volta de 0h20 e a mais nova, chorando bastante, por volta de 0h50 desta terça. A tia das crianças, irmã da gerente bancária, foi quem saiu com as duas crianças, que foram levadas, aparentemente sem nenhum ferimento, para uma ambulância do Corpo de Bombeiros que está no local.  A expectativa é que as negociações se estendam durante toda a madrugada.
De acordo com o comandante do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), o tenente coronel Marcelo Vladimir Corrêa,  os sequestradores estão aparentemente calmos. "As negociações estão fluindo bem, acreditamos que o processo de negociação vai ser bem sucedido". Apesar de otimista, o comandante informou que os bandidos pretendem levar o sequestro, pelo menos, até a manhã desta terça. Outro ponto destacado pelo tenente coronel é que os sequetradores não têm uma proposta firme de exigências, vacilando a todo momento.

Um carro que estaria dando cobertura ao grupo foi embora antes da chegada da polícia. Os sequestradores, que seriam dois homens e uma mulher (informação não confirmada pelo Gate), usavam coletes escuros. Logo após entrarem no prédio, um deles disse a uma moradora que iriam verificar o computador da gerente sequestrada por ordem de um delegado.
Existe a possibilidade de a ação frustrada ser uma tentativa de cometer o chamado golpe do sapatinho – quando bandidos fazem parentes de bancários reféns durante a noite e madrugada para obrigá-los a sacar dinheiro do cofre da agência no dia seguinte.  Porém, o comando do Gate trabalha com a hipótese principal de uma tentativa de assalto à residência. O casal, que tem por volta de 30 anos, mora no terceiro andar do edifício há cerca de dois anos. Ela é gerente de uma agência do Banco do Brasil e ele, funcionário da mesma unidade.
 
O prédio, de seis andares, foi isolado. Vizinhos de outros apartamentos não puderam sair nem entrar. Do lado de fora, moradores do edifício estavam preocupados. “O que eu quero é que o sequestro termine logo e saiam todos bem”, disse um morador, que não quis ser identificado. O Gate colocou todo o efetivo de plantão para conduzir a negociação. Os agentes se espalharam por todos os andares do prédio e por casas próximas. A PM deslocou cerca de dez viaturas para o local, que isolaram ruas no entorno para evitar a aproximação de curiosos. Além do efetivo militar, agentes da Polícia Civil, e um advogado solicitado pelo trio, participam das negociações.
Desde os primeiros momentos do sequestro, os bandidos ordenaram ao bancário que pendurasse um lençol na sacada do apartamento para dificultar a visão do interior. Segundo militares que acompanham as negociações, as exigências foram cumpridas, mas, mesmo assim, os bandidos continuam irredutíveis.

Arma.
Os sequestradores chegaram a aparecer algumas vezes na sacada para fazer as exigências. Em uma delas, um sequestrador apontou a arma para a gerente. A irmã dela, Michele Marques, acompanha, com apreensão, o desenrolar dos fatos. “Eles (o casal) nunca haviam sofrido ameaças”, disse a mulher, que estava bastante emocionada. O bancário chegou a ser visto por vizinhos quando já estava em poder do grupo, nos corredores do prédio. Um dos moradores chegou a fazer um comentário com a vítima, sobre a contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Atlético, mas estranhou o fato de o homem não responder à brincadeira.

 

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