terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Suspeitos de executar casal da Serra do Cipó não demonstram arrependimento, diz polícia Dois homens, de 25 e 19 anos confessaram o crime. Eles apontaram ainda o envolvimento de um menor de 17 anos no duplo homicídio



Thiago Lemos
Valquiria Lopes
Publicação: 08/01/2014 00:21 Atualização: 08/01/2014 00:46
Casal sumiu na sexta-feira, um dia pós chegar à pousada na Serra do Cipó (Reprodução Facebook)
Casal sumiu na sexta-feira, um dia pós chegar à pousada na Serra do Cipó
Frios e sem demonstrar medo de punição. Assim a Polícia Civil classificou o comportamento de Marcos Magno Peixoto Faria, de 25 anos, e de Helton Moreira de Castro, de 19, que confessaram nessa terça-feira ter executado um casal na Serra do Cipó, na Região Central de Minas Gerais. Os dois suspeitos ainda apontaram a participação de um menor de 17 anos no crime. O garoto foi apreendido e teria ajudado a queimar a caminhonete das vítimas. Nesta quarta-feira pela manhã serão retomadas as buscas pelos corpos do advogado Alexandre Werneck de Oliveira, de 46 anos, e da namorada dele Lívia Viggiano Rocha Silveira, de 39, que teriam sido jogados em um rio.

Os dois homens foram detidos na tarde dessa terça-feira em Conceição do Mato Dentro, na Região Central. O primeiro a ser pego foi Marcos, que é filho de um policial militar reformado. Ele e o comparsa prestaram depoimentos ao longo do dia na delegacia do município. Eles também foram levados ao local onde o veículo foi queimado, na Serra do Cipó, e deram aos policiais detalhes sobre como mataram o casal e depois se livraram dos corpos. Lá, ainda, apontaram a participação do menor no esquema.

O chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Wagner Pinto, que foi para Conceição do Mato Dentro acompanhar o caso, explicou que não há dúvidas de que se trata de um crime de latrocínio (roubo seguido de morte). Para o policial, o encontro do veículo incendiado e a identificação de Marcos que está com o rosto queimado foram contundentes para a elucidação do crime. 

O delegado, ao final dos depoimentos dos suspeitos na noite dessa terça-feira, falou sobre a frieza dos envolvidos quando eles descreveram as execuções. “A principio eles não demonstraram arrependimento. Não mostraram temor da punição que os espera”, avaliou. A polícia suspeita ainda que a namorada do advogado tenha sido violentada antes de ser assassinada.

Segundo o delegado, os suspeitos contaram que na sexta-feira abordaram as vítimas no mirante da Serra do Cipó. Os criminosos disseram que chegaram ao local em uma moto CBR-300 amarela, que pertence a Marcos. Armados com um revólver calibre 22, renderam o advogado e a namorada e os levaram, no carro deles, até uma ponte do rio Santo Antônio, onde tiveram roubados os celulares e R$ 174 em dinheiro. Em seguida, os ladrões disseram que atiraram contra as cabeças do casal. Depois, jogaram os corpos na água. 

Ainda durante o depoimento, a dupla contou que o veículo do advogado, uma caminhonete importada, ficou abandonada às margens do rio durante todo o sábado e domingo. Na segunda-feira, a dupla voltou ao local acompanhada de um menor de 17 anos. Os assassinos contaram que o adolescente ajudou eles a tirarem as placas do veículo e depois incendiar o automóvel.

As informações dadas pelos suspeitos sobre como assassinaram o casal, segundo a polícia, somente poderão ser confirmadas com a localização dos corpos das vítimas. Assim que isso acontecer, eles passarão por perícia. Ainda segundo Wágner Pinto, se nos próximos depoimentos os envolvidos entrarem em contradição com o que já foi dito uma reconstituição do crime deverá ser marcada.


A viagem

As vítimas chegaram à Serra do Cipó na quinta-feira e se hospedaram na Pousada e Hotel Cipó Veraneio. Segundo parentes, elas ficariam na localidade até sábado, já que no domingo Alexandre pretendia comemorar o aniversário com familiares em Belo Horizonte. Na sexta-feira, o casal saiu da pousada e não retornou para o estabelecimento. No dia seguinte, o gerente do local deu falta dos hóspedes e avisou aos familiares deles.

As buscas pelo casal começaram na última segunda-feira, depois que os familiares das vítimas procuram a Polícia Militar para fazer um boletim de ocorrência. No mesmo dia, a PM foi acionada por investigadores da Delegacia de Polícia Civil de Conceição de Mato Dentro, que encontraram uma Hilux queimada em uma área de mata perto de uma estrada.

Conforme a Polícia Civil, todos os documentos e cartões bancários das vítimas estavam no veículo queimado. Além disso, não foi feito saque ou outra transação bancária. Toda a região da Serra do Cipó foi vasculhada, inclusive com o apoio de um helicóptero do Corpo de Bombeiros com um policial civil a bordo, mas nenhuma pista sobre o paradeiro do casal não foi encontrada. (Com informações de João Henrique do Vale)

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