Rio -  O coordenador geral das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), coronel Rogério Seabra, negou nesta terça-feira que o ataque que vitimou a policial militar Fabiana Aparecida dos Santos, de 30 anos, vá interferir nos planos de continuidade para a instalação das UPPs. A soldado da PM foi baleada durante um ataque de traficantes à base da UPP Nova Brasília, no Complexo do Alemão, na noite desta segunda.
"O processo segue normalmente. O objetivo é ampliar nossa presença e, em defesa de todos, com todos os nossos aparatos, vamos identificar os responsáveis por este ataque. A pacificação é um processo irreversível", afirmou, em entrevista à Globo News nesta terça-feira.
Secretaria de Segurança lamenta morte
A Secretaria de Estado de Segurança (Seseg) divulgou uma nota, na manhã desta terça, na qual lamenta "profundamente" a morte da soldado Fabiana Aparecida dos Santos. De acordo com a Secretaria, Fabiana é a mais recente vítima dos fuzis de alto poder utilizado por traficantes que ainda resistem à pacificação nos Complexos do Alemão e da Penha.
Fabiana Aparecida de Souza, de 30 anos, estava lotada a apenas 4 meses na UPP Nova Brasília | Foto: Reprodução Internet
Fabiana Aparecida de Souza, de 30 anos, estava lotada a apenas 4 meses na UPP Nova Brasília | Foto: Reprodução Internet
"O processo de pacificação seguirá seu curso previsto na região, até que esteja consolidada a reconquista de território dessas comunidades, com sua devolução completa e pacífica à cidade do Rio de Janeiro. Já foram instaladas três Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Complexo do Alemão (Nova Brasília, Fazendinha e Alemão), a UPP Adeus/Baiana e mais duas UPPs no Complexo da Penha (Fé/Sereno e Chatuba). Muito em breve, serão inauguradas mais duas UPPs no Complexo da Penha: Parque Proletário e Vila Cruzeiro", diz a nota.
A Seseg convocou a população dos Complexos do Alemão e da Penha e do Morro do Adeus/Baiana a colaborar com a Polícia Militar, através do Disque-Denúncia (2253-1177) e do 190, fornecendo informações que possam levar à localização e prisão dos criminosos responsáveis pela morte da soldado Fabiana.
Surpreendida após jantar
O resgate de Fabiana Aparecida foi feito sob intenso fogo cruzado dos criminosos. Primeiro policial de UPP a ser morto em serviço e confronto com bandidos, ela tinha acabado de lanchar e foi ferida fora da sede da UPP, segundo colegas. O policiamento foi reforçado na região após o incidente.
Marca de tiro no vidro da sede da UPP Nova Brasília, no Complexo do Alemão | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Marca de tiro no vidro da sede da UPP Nova Brasília, no Complexo do Alemão | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
"Recebemos um pedido de socorro dela pelo rádio e fomos ao local. Ela já estava baleada, caída do lado de fora. Eles (bandidos) deram muito tiro em cima da equipe. Só tivemos tempo de resgatar a colega e deixar o local rapidamente. Vi pelo menos três deles armados de fuzis", contou um dos PMs da UPP da Fazendinha que socorreu Fabiana. A policial foi atingida no abdômen. Levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas do Alemão, na Estrada do Itararé, ela não resisitiu ao ferimento. Na viatura ficaram marcas de tiros e na porta e banco traseiros marcas de sangue da PM e pertences dela.
Segundo o mesmo PM, Fabiana tinha acabado de lanchar quando foi para o lado de fora da sede da unidade, por volta das 21h. Pouco depois, cerca de 12 bandidos armados de fuzis começaram a disparar contra a sede e o container de apoio da UPP, a uma distância de cerca de 20 metros. As marcas do confronto ficaram nas duas bases. Surpreendida e armada apenas com uma pistola, a soldado ainda trocou tiros com os criminosos. O tiro que matou a policial foi disparado de um fuzil calibre 7.62. O projétil atravessou frontalmente o colete e o corpo da militar e ficou alojado na parte traseira.
Cerca de 10 minutos antes ao ataque à UPP Nova Brasília, cerca de oito bandidos atacaram uma patrulha com dois policiais na localidade Pedra do Sapo, no Morro do Alemão. Os militares pediram prioridade a outras unidades da região. Ninguém ficou ferido. PMs suspeitam que este ataque tenha sido promovido pelos marginais para desviar a atenção dos PMs e atacar a Nova Brasília.
Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia
Policiais do Bope foram chamados para a UPP Nova Brasília | Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia
Fabiana estava lotada a quatro meses na UPP Nova Brasília. Ele tinha se formado a cerca de um ano. Ainda segundo colegas de farda, a irmã dela também faz curso para ser policial. A família é natural de Valença, no Sul Fluminense, divisa com Minas Gerais. "Ela era jovem e tinha o sonho de ser policial, mas infelizmente seu sonho durou pouco. Foi mais curto que poderia imaginar”, disse um deles revoltado.
Após o ataque, policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) entraram na comunidade. Policiais do Batalhão de Choque (BPCHoque) e do 16º (Olaria), 22º (Maré) e 4º (São Cristóvão) batalhões reforçam o policiamento nas vias de acesso às comunidades do complexo do Alemão. Durante a madrugada não foram registrados novos conforntos ou prisões. A informação de que uma outra pessoa teria sido ferida na ação dos bandidos não foi confirmada.
O Rio tem 25 UPPs, com 5.500 PMs.
Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia
A policial foi encaminhada para a UPA da região, mas não resistiu aos ferimentos |
 Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia/Amigos de Caserna.