quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012





MOVIMENTOS SOCIAIS E URBANOS SE REPETEM AO LONGO DA HISTÓRIA
“Povo que não conhece sua história... está fadado a repeti-la”! (Eduardo Bueno jornalista, escritor e tradutor brasileiro.)
             Em meio às manifestações em vigência principalmente ao que estamos acompanhando no Estado da Bahia, abro aspas a acontecimentos anteriores que, se não podemos compará-los devido o período que se deram, podemos ao menos fazer uma análise do que mudou de lá pra cá e o que podemos aprender com o passado. 
             Vários foram os movimentos sociais e urbanos que caracterizaram o período da 1ª República brasileira.
            A elite governante que passa a assumir o país no início do século XX se empenhou em manter a política liberalista e econômica, e não se preocupou em oferecer as classes trabalhadoras suas liberdades sociais. Essas elites republicanas deram continuidade ao projeto de construir uma identidade nacional e esquecem e desconsideram a grande maioria da população que, quer queiram ou não, faziam parte de um contexto muito maior e tinham o direito e o dever de participar das mais importantes decisões a serem tomadas sobre o novo rumo a ser tomado pela nova ordem nacional.
             Por ignorarem essas classes menos favorecidas, o governo se viu rodeado de várias manifestações sociais, urbanas, rurais e messiânicas, tais como: a Guerra de Canudos, o movimento Tenentista, o Cangaço, a Revolta da Vacina, e os movimentos operários que tiveram seu auge entre 1917 e 1920, a Revolta de Juazeiro, Contestado, e


a Revolta da Chibata, que foram desencadeadas e dominaram o período que podemos classificá-lo de República Velha, como é popularmente conhecida, ou 1ª República, mais utilizado ultimamente no meio acadêmico.
As intervenções militares do período tiveram conseqüências nos Estados, pois, desrespeitava abertamente os princípios republicanos e os preceitos constitucionais vigentes. Além disso, a política Salvacionista do General Hermes da Fonseca geraram ainda mais instabilidade e crise, devido às revoltas e rebeliões armadas que eclodiram em vários Estados contra as intervenções do governo.
            A manifestação dos policiais militares da Bahia e outras já eclodidas em outros Estados da Federação assemelham-se muito a Revolta da Chibata, movimento este,
ocorrido no início do século XX, desencadeado por militares da Marinha brasileira que
culminou em um motim na Baía de Guanabara no Rio de Janeiro (Capital do Brasil a época) e teve como principal líder e personagem o Cabo Marinheiro João Cândido, considerado por muitos a época um subversivo, de liderança negativa no corpo militar, e nos dias atuais um herói brasileiro, protagonista de um acontecimento que ganhou notoriedade nacional pela sua ousadia e coragem em manifestar suas insatisfações com
os maus tratos, os baixos soldos e as péssimas condições de trabalho a que eram submetidos.
           Os castigos físicos na Marinha brasileira não condiziam com a nova realidade, visto que a escravidão havia sido abolida a mais de vinte anos, no entanto, os marinheiros em sua maioria negros e mulatos eram submetidos aos castigos corporais impostos pela Marinha tradicionalmente monárquica, formada a época da Independência, quase que em sua totalidade por pessoas, organizações e doutrinas provenientes da transmigração da Família Real de Portugal em 1808, e que pode de alguma forma tentar explicar o porquê de suas doutrinas disciplinares tão rígidas.
            Os castigos impostos hoje em dia não são de cunho físico, mas moral, em função do desrespeito e a inobservancia por parte dos nossos representantes que insistem em fechar os olhos para a nova realidade social e tratam com desdém as questões salariais daqueles que protegem a sociedade, em muitos casos com o sacrifício da própria vida, deixando para trás amigos e familiares desconsolados e abandonados a própria sorte pois esquecem que antes mesmo de envergarem uma farda são seres humanos como qualquer outro.

Podemos concluir que o governo esquece que, para se governar e se manter a frente do governo, ele precisa manter as instituições sob seu mando em sintonia com a realidade econômica, política, social e material, de acordo com o que a cultura da atualidade lhe impõe, atendendo as expectativas de respeito mútuo, sem ofender o direito mais sagrado que é o do ser humano ser tratado com dignidade, independente de  classe, cor ou credo.

FONTES
Fontes documentais
Fonte: História do Negro Brasileiro, Clóvis Moura, São Paulo: Editora Ática S.A., 1992 | CEFET (SP)
Wikipédia, a enciclopédia livre.
Folha de são Paulo, 6 de março de 2008.
Atividade Estruturada apresentada ao Curso de História, Costa, Juliano de O. Faculdade Estácio de Sá - Belo Horizonte, na Disciplina Brasil República I, sob orientação da Professora Marcelina Almeida.

                                                Juliano de Oliveira Costa
                                                                       Policial Militar e Historiador


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