Leia na íntegra o artigo assinado pelo Assessor de Comunicação Organizacional da PMMG - Ten Cel Alberto Luiz
O que é preciso fazer para reverter esse quadro em que alguns participam de torcidas organizadas com o um único propósito e prazer de promover brigas e depredações? Sabemos que não existe causa única, mas um conjunto de situações que desencadeiam toda essa violência. O que se percebe é que a cultura da violência está entranhada na organização de alguns desses grupos. As torcidas são “organizadas”, como já sabemos, e atuam em grupos. Mas, algumas pessoas, no seu dia-a-dia, sozinhas e isoladamente, têm um tipo de comportamento, e quando se juntam a muitas outras, comportam-se de forma totalmente distinta, inclusive praticando violência e reforçando a ideia do “vamos para a guerra”. Só para dizer “eu sou diferente; eu sou demais”.
Torcida Organizada tem um objetivo maior: de apoiar o time, de vibrar com a vitória e apoiar os atletas no momento da derrota. Isso é, sem dúvidas, o que deve orientar as práticas de sociabilidade que envolvem os torcedores integrantes dessas organizações.
É importante compreendermos como esses grupos se organizam, qual é a sua estrutura social, como se mantêm coesos, qual a forma de organização, como se estruturam, como se mantêm, quem pode participar, qual é órgão que os fiscaliza. Pelo que se sabe, essas torcidas, são independentes, se auto sustentam, têm sede própria e uma estrutura bem definida, como uma verdadeira instituição. Portanto, seus integrantes devem ser tratados não só como um conjunto de torcedores, mas como um grupo socialmente organizado e constituído juridicamente.
Não acreditamos que haja, por parte das lideranças, incitação à prática de violência. A torcida organizada deve seguir o seu caminho, fortalecendo seus respectivos times e cumprindo a lei. Torcedor de verdade tem que ser estimulado a se organizar, a promover a paz, a vibração, a alegria, não a violência. Nós demoramos muito a perceber que as consequências da falta de ações concretas têm se tornado sérias.
Soluções, como a extinção de torcidas organizadas, são simplistas. E essa violência gratuita, muita vezes, transforma-se em símbolo de poder, um poder que nem sempre se tem. O ideal seria as pessoas receberem esse tipo de orientação em casa, nas escolas, nas próprias torcidas organizadas, na sociedade e por meio da mídia que colabora com o debate.
Todos devem caminhar juntos numa relação de apoio para resolver o problema, que passa pelo aprendizado da civilidade e educação. Nesses grupos de torcedores há adolescentes e, na sua maioria, jovens que estão grávidos de si mesmos; que vão dar à luz uma nova pessoa em breve. Então, como gravidez não é doença, e adolescência também não, eles não estão tendo senso de limites. Precisam ter. Estão buscando, com suas atitudes, diferenciar-se, destacar-se dos que consideram rivais, o que é chamado de bem diferencial e, ao mesmo tempo, falta de convivência educada com as pessoas (outros torcedores).
Os clubes sozinhos não são inocentes. Digo isso porque não acredito em crime perfeito no qual só exista a vítima; há autores também. A família, os clubes, a sociedade, a escola, o Poder Público e a mídia. Por isso, acredito que aqueles que participam de torcidas organizadas, com o objetivo explícito de praticar a violência, não podem ficar impunes, porque impunidade é passo para fortalecer o entendimento equivocado e pernicioso de que se pode continuar agindo sem limites.
A extinção das torcidas não é a panaceia para todos os males. Todos devem se unir para propor um debate com o objetivo de ampliar as punições àqueles que tiverem suas condutas individualizadas, atribuindo-lhes responsabilidades com rigor e estabelecendo uma estrutura consistente de cumprimento das sanções aplicadas. Isso pode ser mais eficiente do que a mera extinção das torcidas. Desaparece a questão, e os problemas estarão presentes, retornando quando menos se espera. Por isso, esses grupos devem ser auditados, e as pessoas jurídicas por eles constituídas devem ser responsabilizadas por atos cometidos por seus afiliados, inclusive indenizando prejuízos causados ao patrimônio público ou particular, independentemente das ações criminais cabíveis, conforme o “Direito Penal Desportivo” em vigor – Estatuto do Torcedor – ou o Direito Penal vigente no País. Cabe aos dirigentes dessas torcidas apoiarem as ações de controle e aliarem-se aos órgãos que integram o Sistema de Defesa Social para solucionar, definitivamente, esse problema.

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