25/07/2012
* José Luiz Barbosa
Contraditoriamente
a tudo que se podia imaginar na política, daí o ditado hábil e
fartamente popularizado entre os cidadãos incautos e desavisados de que:
"política é como nuvem, uma hora você olha está lá, outra hora, você
olha não está mais".
Dito
de outro modo, os princípios éticos tiveram seu conceito e núcleo
esfacelados e distorcidos, tudo em nome do poder, que uma vez outorgado a
um representante, que se faz de rogado, e passa a agir, aplicar,
transigir, negociar e até submeter o poder que lhe foi delegado a outros
interesses, que não são nem de longe os interesses dos cidadãos, que o
escolheram e elegeram pelo sufrágio de milhares de votos no exercício de
sua cidadania.
A
notícia da PEC 186/12, que dispõe sobre sindicalização e direito de
greve para policiais militares, de autoria de um deputado civil, o
pastor evangélico Eurico do partido do PSDB, causou perplexidade e vem
provocando profunda reflexão entre policiais e bombeiros militares, pois
era tudo que jamais se poderia imaginar no atual cenário da política
nacional, em que a luta política pelo poder, se polarizou entre dois
grande partidos, o PT e o PSDB, que disputam a hegemonia popular entre o
bem e o mal.
Por
duas razões obvias, primeiro porque os policiais e bombeiros militares,
sempre esperaram uma proposta desta natureza de um deputado eleito
pelos votos de policiais e bombeiros militares, por um raciocínio
simples e lógico, um policial ou bombeiro militar conhece as
peculiaridades de nossa legislação castrense e as graves violações da
cidadania e dignidade, que vigem provocadas pelo fisiologismo e
casuísmo que dominaram a elaboração da carta magna de 1988, e ainda vigoram com o beneplácito e a leniência das representações passadas e presentes que ocuparam lugar na câmara federal.
Uma
segunda possibilidade, seria algum deputado petista, da corrente
idelogica do partido que fora em tempo recente forjado na luta dos
trabalhadores, mas ao que parece nenhum deputado do PT, pelo menos os
que estão no exercício do mandato, até hoje conseguiram enxergar no
rosto do policial e bombeiro militar, o cidadão trabalhador,
opostamente, muitas foram as cenas e episódios de opressão, perseguição,
vingança e abusos cometidas por governos do PT e alguns de seus aliados
para reprimir, sufocar e acabar com movimentos legítimos de
reivindicação salarial, de luta por direitos trabalhistas, melhores
condições de trabalho e valorização profissional.
Ficamos
agora sem entender, se estamos sem absolutamente nenhuma representação
política na esfera federal e quiça até estadual, ou se as representações
que por lá passaram não tiveram tempo suficiente ou vontade para
apresentar propostas com a finalidade de abolir as vedações
constitucionais das quais somos vítimas em pleno estado democrático de
direito, ou se temos mea-culpa ao admitir que também fomos e
estamos sendo vítimas continuadas de uma conspiração que se aproveita do
analfabetismo político reinante para aplicar nos cidadãos, e em
especial nos policiais e bombeiros militares um estelionato eleitoral de
quatro em quatro anos.
E
aqui ficamos como dizia o saudoso Raul Seixas: "com a boca
escancarada, cheia de dentes esperando a morte chegar", com um deputado
civil fazendo o papel que deveria ser de um deputado militar, ou de um
deputado que em tese, se elegeu sob a bandeira do partido dos
trabalhadores.
*
Presidente da Associação Mineira de Defesa e Promoção da Cidadania e
Dignidade, ativista em direitos e garantias fundamentais, bacharel em
direito, especialista em segurança pública.

Nenhum comentário:
Postar um comentário