quarta-feira, 14 de março de 2012

Paralisação vai continuar
Publicado no Super Notícia em 14/03/2012
GABRIELA SALES E NATÁLIA OLIVEIRA
falesuper@supernoticia.com.br
FOTO: CRISTIANO TRAD
Novo dia de caos nos pontos de ônibus
O usuário de ônibus em Belo Horizonte e na região metropolitana deverá enfrentar hoje mais um dia de transtorno. Sem reconhecer um enfraquecimento do movimento, iniciado na última segunda-feira, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Belo Horizonte (STTRBH) anunciou a continuidade da paralisação.
Ontem, após três horas de uma segunda reunião tensa intermediada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), sindicatos dos trabalhadores e o patronal deixaram o encontro com o prazo até as 13h de amanhã para dar uma resposta à proposta do desembargador Marcus Moura Ferreira de reajuste salarial de 9% para a categoria. O aumento, se aceito, deverá ser aplicado ainda a benefícios como seguro de vida, vale-alimentação e planos de saúde. A medida é retroativa a 1º de fevereiro.
A proposta será analisada num encontro dos trabalhadores do setor, hoje à tarde. Até amanhã, segundo o presidente do sindicato dos trabalhadores, Ronaldo Batista de Morais, a orientação é para motoristas e cobradores continuarem de braços cruzados. A ordem da Justiça para que metade da frota continue em operação, segundo ele, será cumprida.
A proposta do sindicato patronal de reajustar os salários em 6% não convenceu a categoria, que recuou na exigência de 49% de aumento, mas quer 20% de reajuste. Os representantes das empresas ofereceram 13% de aumento nos contracheques desde que condicionado à elevação de 20 minutos diários na carga horária. Assim, os empregados passariam a trabalhar sete horas por dia. Pela manhã, rodoviários e patrões já haviam se reunido, mas o encontro terminou em impasse.
O procurador geral do município, Marco Antônio Teixeira, que participou da reunião no TRT, fez um apelo às partes para que a greve termine. "A população está sofrendo muito", disse.
Grevistas tomam chaves
Os rodoviários fizeram ontem mais manifestações. Em uma delas, cerca de 50 grevistas se reuniram em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte, parando os ônibus que circulavam. Eles tomaram as chaves de quatro ônibus e jogaram ovos naqueles quem insistiam em rodar. Sem ônibus para chegar ao metrô, a estação Eldorado, em Contagem, ficou inativa ontem pela manhã.

Escala mínima deve ser de 70%
Mesmo com a decisão de continuar em greve, os rodoviários estão obrigados pelo Tribunal Regional do Trabalho a manter pelo menos 70% da frota em operação nos horários de pico - entre 6h e 9h e das 17h às 20h. Nos demais horários, a determinação é que pelo menos metade da frota esteja em operação. A multa diária caso a decisão seja descumprida é de R$ 30 mil. Ontem, ao ser notificado da decisão, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte anunciou que irá recorrer. "Essa frota alta irá descaracterizar a nossa greve e fará com que ela perca força", disse o presidente do sindicato, Ronaldo Batista se referindo à Lei de Greve (7.738/89), que inclui o transporte público e estabelece 30% na escala mínima de serviços essenciais, em caso de paralisações.
FOTO: EMMANUEL PINHEIRO
Muita gente saiu de casa de carro e trânsito ficou lento
TRÂNSITO LENTO
Greve perde força, mas carros tomam as ruas


Apesar de a greve dos rodoviários de Belo Horizonte e da região metropolitana ter demonstrado enfraquecimento, ontem, no segundo dia de paralisação, quem circulou pela capital e em alguns pontos de maior movimento na região metropolitana enfrentou muita dificuldade. Prevenidas, depois do caos do dia anterior, muitas pessoas saíram de casa de carro. Enquanto os pontos de ônibus estavam cheios, nas ruas e nas avenidas, parecia não haver mais lugar para tantos carros. Nos horários de pico pela manhã e à tarde, longas filas de veículos se formaram nos principais corredores de trânsito.
A Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) informou que a volta para casa ontem foi muito complicada. "A cidade está toda parada", afirmou um assessor. A empresa não forneceu números sobre quantos carros a mais rodaram pela capital ontem.
Paulo Marcos Ávila, de 34 anos, preferiu não arriscar. O vendedor foi de carro para o trabalho e ainda levou de carona outros quatro amigos. "Como vim de carro, ofereci carona para amigos que moram no meu bairro. Peguei trânsito, mas valeu a pena".
Houve congestionamentos nas avenidas Pedro I, Antônio Carlos e Carlos Luz (Catalão), na região da Pampulha. Pela manhã, a avenida Cristiano Machado ficou tomada de carros da altura do bairro 1° de Maio até o Complexo da Lagoinha. A avenida Amazonas, a Via do Minério e pontos do Anel Rodoviário também sofreram com o fluxo intenso de veículos. "Só consegui chegar uma hora depois do início da aula", contou o estudante Samuel Sena, que seguia para a UFMG e enfrentou trânsito complicado no Anel Rodoviário e na avenida Antônio Carlos.
Para piorar a situação da população, mesmo aqueles motoristas que não aderiram à greve mudaram os itinerários dos coletivos para fugir dos engarrafamentos.

O sindicato dos rodoviários negou que a greve tenha perdido força. Segundo o diretor de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Belo Horizonte (STTR-BH), Carlos Henrique Marques, o movimento continua forte. De acordo com ele, apenas 30% dos 3.010 veículos, que atendem aproximadamente a 1,6 milhão de pessoas, circularam ontem. Segundo o sindicalista, a "sensação" de mais coletivos nas ruas foi provocada por uma estratégia dos grevistas de liberar a circulação de mais ônibus nos horários de pico.
PassageirosCom medo de não encontrarem coletivos, os passageiros de ônibus procuraram alternativas. Com isso, o movimento nas estações BHBus caiu. "O que percebemos aqui (Estação Venda Nova) foi a diminuição drástica do número de passageiros. Em dias normais, chega-se a 12 mil usuários, entre 6h e 8h. Hoje, (ontem) não chegou nem à metade", disse Luiz Carlos Perin, supervisor da Regional Venda Nova da BHTrans. Segundo a empresa, a estação encerrou o dia com 71% das viagens sendo feitas.
Perueiros lucram com movimentoMesmo impedidos por lei, perueiros que atuam ao redor da estação do metrô Eldorado, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, lucraram com a greve. Ontem, alguns motoristas clandestinos que rodam em carros particulares contaram que dobraram as viagens.
Caos é pior na Barreiro e Diamante
Pelo segundo dia, as estações Barreiro e Diamante foram as mais prejudicadas pela greve, principalmente pela manhã, quando apenas 18% e 12% das viagens foram cumpridas, respectivamente. A Estação Diamante fechou o dia com o pior desempenho, apenas 16% de funcionamento.
Paralisação de vigilantes fecha bancos
A greve dos vigilantes, iniciada na última segunda-feira, chegou ontem aos bancos. Pelo menos 20 agências no centro da capital, segundo números do Sindicato das Empresas de Segurança e Vigilância do Estado de Minas Gerais (SINDESP-MG) e confirmados pelo Sindicato dos Vigilantes de Minas Gerais, foram afetadas pela paralisação e tiveram que suspender o atendimento à população. A decisão é continuar de braços cruzados por tempo indeterminado. Ontem à tarde, houve protesto de cem deles no centro da capital.
De acordo com o sindicato dos vigilantes, nenhuma solicitação dos grevistas foi atendida. "Ainda não fomos formalmente procurados sobre a nossa situação. O que queremos é que nossos direitos sejam respeitados", afirmou o presidente da entidade, Romualdo Ribeiro.
Os vigilantes reivindicam aumento salarial de 10%, além de reajuste de 30% no adicional de risco de vida e R$ 10 em vale-alimentação. O salário, hoje, é R$ 1.026,85. A categoria reivindica R$ 1.259. (Jhonny Cazetta).

Fonte: Super.

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