Mobilização.Governo também baixou um decreto que agiliza a punição para os líderes do movimento
No primeiro dia de greve no Rio, 270 militares são indiciados
Nove dos 11 PMs que encabeçam a paralisação foram detidos ontem
Publicado no Jornal OTEMPO em 11/02/2012
FOTO: ALEXANDRE VIEIRA/AGÊNCIA O DIA
Segurança. Cabine da Polícia Militar situada na orla de Copacabana, na zona Sul do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro.
No primeiro dia da greve de policiais e bombeiros no Rio, o governo do Estado indiciou 270 militares das duas corporações e baixou um decreto para agilizar a punição aos líderes do movimento. Publicado em edição extraordinária do "Diário Oficial", o decreto nº 43.462 diminui o prazo de julgamento das infrações na PM e no Corpo de Bombeiros para 15 dias.
O Corpo de Bombeiros anunciou a prisão administrativa de 123 guarda-vidas por falta ao serviço e abriu processo disciplinar. Um inquérito no Conselho de Disciplina da corporação pode resultar na expulsão de 18 lideranças, entre elas o cabo Benevenuto Daciolo, que está preso em Bangu 1, dois oficiais e 15 guarda-vidas.
Sete policiais foram presos em diversos batalhões por desobediência, 147 PMs foram indiciados por crimes militares e 16 foram presos. Dos 11 líderes grevistas da corporação que tiveram as prisões decretadas pela Justiça da Auditoria Militar, nove foram detidos ontem - entre eles, estão três oficiais da reserva. Um processo disciplinar foi aberto para julgar 14 PMs que poderão ser expulsos.
Alguns líderes do movimento na PM consideram como certa a expulsão. "Isso é muito triste. Sou formado em direito e permaneci na corporação, pois acreditei que poderíamos melhorar a PM", afirmou o cabo João Carlos Gurgel, que é lotado no QG, minutos antes de ser preso.
A Justiça determinou sigilo no inquérito sobre os líderes do movimento na PM. Entre as prisões decretadas, oficiais da reserva cuja militância ocorria na internet, em blogs e redes sociais, como os coronéis da reserva Paulo Ricardo Paúl e Adalberto Rabello, além do major Hélio Oliveira. Sete cabos e um sargento tiveram as prisões decretadas. Única mulher da lista, a cabo Vivian Sanchez Gonçalves foi presa ontem.
A polícia diz que setor de inteligência não encontrou conexão entre os episódios e a greve. No Batalhão do Leblon, policiais usavam camisetas com a inscrição "greve" e a Guarda Municipal ocupava a cabine da PM na Lagoa.
Interior. Em Volta Redonda (sul fluminense), 129 policiais foram indiciados em um Inquérito Policial Militar por crime militar. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi para Campos (norte do Rio) para reforçar o patrulhamento. Um carro da PM foi alvejado na avenida Brasil, em Campo Grande, e duas agências bancárias atacadas em São Gonçalo (região metropolitana).
A Assessoria de Comunicação da PM informou que os problemas foram isolados e o policiamento ostensivo funcionou normalmente na capital. Apesar de o Sindicato dos Policiais Civis ter informado em nota que a adesão a greve foi de 70%, a chefia de Polícia Civil divulgou que as delegacias funcionaram.
Reforço. O governo federal tem planos de contingência, com mais de 20 mil homens de prontidão, para mandar ajuda a qualquer Estado para garantir a ordem devido à onda de greves de PMs que ameaça se expandir pelo país. A cargo dos Ministérios da Defesa e da Justiça, os planos incluem efetivos das Forças Armadas, Polícia Federal e Força Nacional de Segurança Pública, que tem uma reserva 10 mil policiais de elite à disposição.
"Se necessário, temos condições de mandar tropas não só ao Rio - onde as polícias militar e civil entraram em greve hoje (ontem) - mas para qualquer Estado que necessite de reforço", disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
PMs baianos presos por chacina
Salvador. Dois PMs foram presos e outros dois estão foragidos acusados de participar, na sexta-feira da semana passada, de uma chacina que deixou cinco moradores de rua mortos - quatro na hora e um dois dias depois - e outros dois feridos em Salvador. O crime foi um dos de maior repercussão durante a greve que paralisa parcialmente a PM.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, foram encontrados com os soldados cinco pistolas, um rifle com mira telescópica, munição, 20 celulares e materiais usados para o tráfico. Eles também são suspeitos de fazer segurança clandestina e de integrar um grupo de extermínio.
Reivindicações dos PMs fluminenses
Sem ter um balanço do primeiro dia de greve, os líderes do movimento marcaram uma manifestação em Copacabana, às 10h de amanhã. Eles ainda não agendaram uma nova assembleia para avaliar a
paralisação.
Apesar dos avanços, o diretor do Sindicato dos Policiais Civis do Rio (Sindpol/RJ), Francisco Chao, disse que ficaram de fora das negociações itens como o pedido para que não sejam cortadas gratificações em caso de licença médica do policial, auxílio-transporte e auxílio-alimentação de R$ 350, piso salarial de
R$ 3.500 e jornada de 40 horas semanais.
No primeiro dia da greve de policiais e bombeiros no Rio, o governo do Estado indiciou 270 militares das duas corporações e baixou um decreto para agilizar a punição aos líderes do movimento. Publicado em edição extraordinária do "Diário Oficial", o decreto nº 43.462 diminui o prazo de julgamento das infrações na PM e no Corpo de Bombeiros para 15 dias.
O Corpo de Bombeiros anunciou a prisão administrativa de 123 guarda-vidas por falta ao serviço e abriu processo disciplinar. Um inquérito no Conselho de Disciplina da corporação pode resultar na expulsão de 18 lideranças, entre elas o cabo Benevenuto Daciolo, que está preso em Bangu 1, dois oficiais e 15 guarda-vidas.
Sete policiais foram presos em diversos batalhões por desobediência, 147 PMs foram indiciados por crimes militares e 16 foram presos. Dos 11 líderes grevistas da corporação que tiveram as prisões decretadas pela Justiça da Auditoria Militar, nove foram detidos ontem - entre eles, estão três oficiais da reserva. Um processo disciplinar foi aberto para julgar 14 PMs que poderão ser expulsos.
Alguns líderes do movimento na PM consideram como certa a expulsão. "Isso é muito triste. Sou formado em direito e permaneci na corporação, pois acreditei que poderíamos melhorar a PM", afirmou o cabo João Carlos Gurgel, que é lotado no QG, minutos antes de ser preso.
A Justiça determinou sigilo no inquérito sobre os líderes do movimento na PM. Entre as prisões decretadas, oficiais da reserva cuja militância ocorria na internet, em blogs e redes sociais, como os coronéis da reserva Paulo Ricardo Paúl e Adalberto Rabello, além do major Hélio Oliveira. Sete cabos e um sargento tiveram as prisões decretadas. Única mulher da lista, a cabo Vivian Sanchez Gonçalves foi presa ontem.
A polícia diz que setor de inteligência não encontrou conexão entre os episódios e a greve. No Batalhão do Leblon, policiais usavam camisetas com a inscrição "greve" e a Guarda Municipal ocupava a cabine da PM na Lagoa.
Interior. Em Volta Redonda (sul fluminense), 129 policiais foram indiciados em um Inquérito Policial Militar por crime militar. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi para Campos (norte do Rio) para reforçar o patrulhamento. Um carro da PM foi alvejado na avenida Brasil, em Campo Grande, e duas agências bancárias atacadas em São Gonçalo (região metropolitana).
A Assessoria de Comunicação da PM informou que os problemas foram isolados e o policiamento ostensivo funcionou normalmente na capital. Apesar de o Sindicato dos Policiais Civis ter informado em nota que a adesão a greve foi de 70%, a chefia de Polícia Civil divulgou que as delegacias funcionaram.
Reforço. O governo federal tem planos de contingência, com mais de 20 mil homens de prontidão, para mandar ajuda a qualquer Estado para garantir a ordem devido à onda de greves de PMs que ameaça se expandir pelo país. A cargo dos Ministérios da Defesa e da Justiça, os planos incluem efetivos das Forças Armadas, Polícia Federal e Força Nacional de Segurança Pública, que tem uma reserva 10 mil policiais de elite à disposição.
"Se necessário, temos condições de mandar tropas não só ao Rio - onde as polícias militar e civil entraram em greve hoje (ontem) - mas para qualquer Estado que necessite de reforço", disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
PMs baianos presos por chacina
Salvador. Dois PMs foram presos e outros dois estão foragidos acusados de participar, na sexta-feira da semana passada, de uma chacina que deixou cinco moradores de rua mortos - quatro na hora e um dois dias depois - e outros dois feridos em Salvador. O crime foi um dos de maior repercussão durante a greve que paralisa parcialmente a PM.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, foram encontrados com os soldados cinco pistolas, um rifle com mira telescópica, munição, 20 celulares e materiais usados para o tráfico. Eles também são suspeitos de fazer segurança clandestina e de integrar um grupo de extermínio.
Reivindicações dos PMs fluminenses
Sem ter um balanço do primeiro dia de greve, os líderes do movimento marcaram uma manifestação em Copacabana, às 10h de amanhã. Eles ainda não agendaram uma nova assembleia para avaliar a
paralisação.
Apesar dos avanços, o diretor do Sindicato dos Policiais Civis do Rio (Sindpol/RJ), Francisco Chao, disse que ficaram de fora das negociações itens como o pedido para que não sejam cortadas gratificações em caso de licença médica do policial, auxílio-transporte e auxílio-alimentação de R$ 350, piso salarial de
R$ 3.500 e jornada de 40 horas semanais.
Incitamento
Procurador apura conversas entre policiais e políticos
BRASÍLIA. O procurador geral da República, Roberto Gurgel, pediu ontem ao governador da Bahia, Jaques Wagner, o envio das escutas telefônicas com conversas gravadas de policiais militares do estado. O objetivo é apurar a participação de parlamentares com prerrogativa de foro. As gravações foram feitas pela Polícia Civil com autorização judicial.
O coordenador criminal Vladimir Aras, da Procuradoria da República na Bahia, determinou a autuação de notícia-crime para apurar o movimento reivindicatório ilegal de policiais militares que vêm causando instabilidade na segurança pública no Estado. De acordo com o procurador, os suspeitos podem ter cometido crimes previstos na Lei de Segurança Nacional (veja abaixo).
O presidente da comissão criada na Câmara para discutir a aprovação da PEC 300, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), afirmou que conversou com o líder do movimento grevista da PM do Rio de Janeiro, Benevenuto Daciolo, em meio à crise de segurança provocada pela greve da PM da Bahia. Em uma das gravações, Daciolo faz questionamentos sobre a votação da PEC 300, em segundo turno, na Câmara. O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) também tratou do assunto com o bombeiro grevista.
A deputada estadual do Rio Janira Rocha (PSOL) aparece pedindo ao bombeiro Daciolo que tente retardar um possível acordo entre os policiais grevistas e o governador Jaques Wagner a fim de impedir que o movimento no Rio se enfraqueça. Ela negou ter incitado os manifestantes a manterem a greve na Bahia.
O coordenador criminal Vladimir Aras, da Procuradoria da República na Bahia, determinou a autuação de notícia-crime para apurar o movimento reivindicatório ilegal de policiais militares que vêm causando instabilidade na segurança pública no Estado. De acordo com o procurador, os suspeitos podem ter cometido crimes previstos na Lei de Segurança Nacional (veja abaixo).
O presidente da comissão criada na Câmara para discutir a aprovação da PEC 300, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), afirmou que conversou com o líder do movimento grevista da PM do Rio de Janeiro, Benevenuto Daciolo, em meio à crise de segurança provocada pela greve da PM da Bahia. Em uma das gravações, Daciolo faz questionamentos sobre a votação da PEC 300, em segundo turno, na Câmara. O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) também tratou do assunto com o bombeiro grevista.
A deputada estadual do Rio Janira Rocha (PSOL) aparece pedindo ao bombeiro Daciolo que tente retardar um possível acordo entre os policiais grevistas e o governador Jaques Wagner a fim de impedir que o movimento no Rio se enfraqueça. Ela negou ter incitado os manifestantes a manterem a greve na Bahia.
Bahia
Governo pune e greve perde força
Salvador. O governo baiano começou a punir os PMs que promovem, desde o dia 31, uma paralisação. Segundo a administração estadual, quem não compareceu aos batalhões até o meio-dia de ontem sofrerá sanções. "A partir de hoje (ontem), o comando está tomando (a paralisação) como ausência ao serviço", disse o comandante geral da PM na Bahia, coronel Alfredo Castro. Após o anúncio, houve corrida de PMs aos batalhões. Também ontem, o governo anunciou acordo com quatro dos cinco sindicatos da categoria e informou que enviaria, à Assembleia, o projeto de reajuste para os PMs ainda ontem.
Fonte: O Tempo.

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