sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sete armas são apreendidas por dia em Belo Horizonte


Balanço foi feito considerando os meses de janeiro a agosto deste ano
Publicado no Super Notícia em 28/09/2012

NATÁLIA OLIVEIRA
FOTO: JOÃO GODINHO
Terror. Depois que a filha de 25 anos foi assassinada, dona de casa ficou com muito medo da violência
Sete armas de fogo foram apreendidas por dia em Belo Horizonte neste ano. Os dados são da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) e mostram que de janeiro a agosto foram 1.720 apreensões. Esse número é 11,7% maior que o registrado em 2011, quando foram recolhidas 1.518 armas irregulares no mesmo período. Esse aparato é combustível para os crimes violentos. Segundo a Polícia Civil, cerca de 90% dos homicídios, sequestros e saidinhas de banco na capital e região metropolitana são praticados com arma de fogo.

"Para esses crimes, os bandidos querem se sentir seguros e por isso utilizam as armas de fogo, que tem um poder maior. Além disso, muitos homicídios estão ligados ao tráfico de drogas, e traficante vai estar sempre com esse tipo armamento", explicou o delegado titular da Delegacia de Homicídios de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, Luciano Vidal.

De janeiro a julho deste ano, foram 1.008 homicídios na capital e na região metropolitana, conforme dados da Seds. Seguindo a estimativa da polícia em que 90% dos assassinatos são com arma de fogo, 907 pessoas foram mortas a tiros. Já as saidinhas de banco, foram 529 praticadas com arma de fogo somente na capital. A secretaria não divulgou dados deste ano com relação ao crime de sequestro.

Medo. Uma dona de casa, que preferiu não ser identificada, perdeu a filha assassinada em maio deste ano. A jovem de 25 anos foi chamada para uma entrevista de emprego na região da Pampulha. No local, ela foi assassinada com três tiros. "Até hoje não sei o que aconteceu, mas desde então fiquei com muito medo da violência", contou. A manicure Milena Biagine, 28, perdeu o marido assassinado com arma de fogo há 13 anos. "Na época, eu tinha uma filha pequena e fiquei quase um ano sem sair na rua com medo de nos matarem também", lembrou.

O comandante do policiamento da capital, coronel Rogério Andrade, da Polícia Militar, disse que a corporação está fazendo um trabalho de repressão nos locais onde podem ter armamento irregular. "Já conseguimos aumentar as apreensões neste ano em relação ao mesmo período de 2011. A tendência é que mais armas de fogo sejam retiradas de circulação", disse Andrade.

Entrada no país
Polícias Civil e Militar criticam ação na fronteira
A falta de controle na importação bem como na compra e na venda de armas de fogo é vista por especialistas e pelas Polícias Militar e Civil como um dos principais problemas para as irregularidades.
O especialista em segurança pública e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Robson Sávio disse que faltam políticas públicas para controlar a circulação de armas de fogo no país. "Hoje, não vejo o poder público controlando esse armamento. É muito fácil adquirir arma", disse.

As Polícias Civil e Militar culpam a Polícia Federal pela falta de controle do armamento irregular. "A maioria entra no Brasil por fronteiras. Isso é um grande problema, porque sem registro não é possível identificá-la", disse o titular da Delegacia de Homicídios de Contagem, Luciano Vidal.

A assessoria de imprensa da Polícia Federal foi procurada, no entanto, ninguém respondeu os pedidos da reportagem. "Parece que cada vez mais o cidadão comum está armado e a violência maior", disse o especialista em segurança pública e professor universitário, Moisés Tavares. (NO)

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