A TRANSIÇÃO DA GUARDA
CIVIL MUNICIPAL PARA POLÍCIA MUNICIPAL

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CLÁUDIO CASSIMIRO DIAS
Belo Horizonte, 04 de
novembro de 2026.
A transição da Guarda
Civil Municipal (GCM) para Polícia Municipal em Belo Horizonte encontra amparo
legal na recente aprovação da PEC da Segurança Pública pelo Senado Federal, a
qual altera o artigo 144 da Constituição Federal para incluir explicitamente as
polícias municipais no rol dos órgãos de segurança pública.
Abaixo, detalha-se o
cenário jurídico atual, as etapas necessárias e o limite das atribuições sob a
ótica legal:
O Histórico
Jurisprudencial e a Nova PEC
A restrição anterior do
STF: Até meados de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) vedava a mudança do
nome para "Polícia Municipal", sob o argumento de que a redação
original do Artigo 144, § 8º da Constituição previa estritamente o termo "guardas
municipais". Apesar disso, o STF já havia reconhecido o papel das guardas
como integrantes do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) com poder para
exercer policiamento ostensivo, preventivo e prisões em flagrante.
A virada com a PEC da
Segurança Pública: Com a recente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) pelo Congresso, as polícias municipais passam a ter reconhecimento
expresso na Constituição Federal como instituições de segurança pública de natureza
civil e carreira própria. Isso resolve a antiga controvérsia jurídica em torno
da nomenclatura.
O Trâmite em Belo
Horizonte após anúncio do Prefeito Álvaro Damião sobre a mudança da
nomenclatura.
A transformação em nível
federal dá a autorização constitucional, mas a efetivação depende de legislação
local. O Executivo de Belo Horizonte já iniciou esse processo enviando à Câmara
Municipal de Belo Horizonte (CMBH) as seguintes propostas:
Proposta de Emenda à Lei
Orgânica (PELO): Necessária para alterar a constituição do município, adequando
o texto local à nova realidade federal.
Projeto de Lei
Específico: Destinado a regulamentar a nova estrutura e a alteração da
nomenclatura da corporação de forma definitiva.
O que Muda e o que Não
Muda na Prática (Limites Legais) - Algumas considerações:
Atribuição Legal Status após a transição
Policiamento Ostensivo e
Comunitário Consolidado. Atuação
direta na prevenção da criminalidade e proteção urbana.
Prisões em Flagrante e
Abordagens Garantido.
Maior segurança jurídica
para buscas pessoais e contenção de crimes.
Investigação e
Inquéritos Policiais
Proibido. Funções de
polícia judiciária permanecem exclusivas das polícias Civil e Federal.
Aumento de Salário ou
Aposentadoria Especial.
Não automático. Direitos
previdenciários e planos de carreira exigirão leis complementares locais
específicas.
Em resumo, a alteração
confere segurança jurídica e status constitucional de polícia, consolidando o
papel de policiamento preventivo e ostensivo que a corporação já vinha buscando
exercer de forma legítima nas ruas da capital mineira.
· CLÁUDIO
CASSIMIRO DIAS – CRIMINÓLOGO, PÓS GRADUADO PELA PUC MINAS, HISTORIADOR FORMADO
NA FAFI/BH, BACHAREL EM DIREITO E ESCRITOR, POLICIAL MILITAR VETERANO E
PESQUISADOR DA HISTÓRIA MILITAR.







