sexta-feira, 21 de abril de 2017

21 DE ABRIL - TIRADENTES E A INCONFIDÊNCIA MINEIRA - SOLENIDADE EM OURO PRETO.

O mineiro Tiradentes, considerado herói nacional, lutou não só em favor de Minas, mas também pela independência do Brasil, num período em que não haviam direitos e que o Brasil sofria o domínio e a exploração de Portugal. O dia 21 de abril é lembrado até os dias de hoje, considerado um feriado nacional e celebrado de diversas formas nos municípios brasileiros, principalmente nas cidades mineiras que foram cenários para os acontecimentos que envolveram a revolta dos Inconfidentes.
Tiradentes é o nome pelo qual o cidadão mineiro Joaquim José da Silva Xavier era conhecido no final do século XVIII, depois de exercer uma de suas inúmeras profissões (tais como mascate, minerador, farmacêutico, técnico em reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos, dentre outros), assim como o apelido prenuncia, a profissão de dentista. Filho de um homem português com uma mulher brasileira, era o quarto de sete irmãos. Nascido em 1746, no distrito de Pombal, município atualmente conhecido como Tiradentes. O nome da cidade surgiu em homenagem ao considerado mártir da Inconfidência Mineira.
Tiradentes perdeu os pais e também todos os bens em função de dívidas contraídas pela família, ainda criança, por isso ficou sob a tutela de um padrinho e cresceu em Ouro Preto, na época, século XVIII, conhecida como Vila Rica. Com os conhecimentos que adquiriu em uma de suas profissões, a de minerador, foi se aproximando do governo na forma de prestador de serviço, o que resultou em seu alistamento em 1780 na tropa da capitania de Minas Gerais. Na tropa mostrou inteligência e competência nos trabalhos concedidos a ele, o que levou a ser promovido a alferes (hoje reconhecido como posto de oficial), fazendo parte do regimento militar dos Dragões de Minas Gerais. Tal reconhecimento e trabalho o levaram a se relacionar com grande parte da aristocracia mineira, poetas, advogados e intelectuais que eram descrentes no Estado soberano e compunham o movimento da Inconfidência Mineira. Entre os mais importantes Inconfidentes estavam militares, escritores de renome, poetas famosos, magistrados e sacerdotes, como: José Álvaro Maciel, José da Silva Rolim, Inácio de Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Domingos Vidal Barbosa, Domingos de Abreu Vieira, Francisco Antônio de Oliveira Lopes, dentre outros além de Tiradentes. Este movimento visava a emancipação de Minas e também a libertação do Brasil da exploração da metrópole, Portugal. Isto fica claro em um dos relatos históricos colocados por Gerson Brasil em um de seus livros:
A Inconfidência não pretendia apenas libertar Minas e o Brasil do jugo da Metrópole. Queria – e isto é o que precisa ficar bem claro – formar aqui uma grande nação republicana, com suas indústrias e possuindo um corpo de leis moderníssimas, de acordo com os postulados revolucionários que agitavam a França e por influência inglesa e francesa tinham já sido vitoriosos nos Estados Unidos”.
Os relatos constatam que Tiradentes possuía boa capacidade oratória e, também por isso, começa a fazer parte do movimento de emancipação mineira e brasileira planejando um protesto pelas ruas da então Vila Rica. Os Inconfidentes planejaram este ato de manifestação pública no mesmo dia em que o governo pretendia estabelecer a derrama, nome dado a um imposto cobrado pela coroa portuguesa para garantir uma arrecadação de ouro satisfatória de acordo com os padrões reais portugueses. Isso seria mais um fator que viria a contribuir para a força e organização do movimento dos Inconfidentes, que foi delatado, neste mesmo dia em que programaram a realização do protesto, por um de seus integrantes que foi procurado e indagado por mandantes do governo e que, por possuir dívidas com a coroa portuguesa, estava sob a mercê das autoridades e acabou por denunciar as pretensões dos Inconfidentes.
Em 1789, Tiradentes e demais companheiros como Tomás Gonzaga e Alvarenga Peixoto foram presos onde esperam o julgamento que só aconteceu após três anos condenando todos eles a pena de morte. Com o apelo de D. Maria I, rainha de Portugal, e a influência do poder sócio-econômico da maioria dos componentes deste grupo que era levado em consideração pelos políticos da cidade, com exceção de Tiradentes, desprovido de benefícios sociais por sua origem simples, os demais que sobreviveram à prisão e maus tratos foram condenados ao exílio. Sendo assim, Tiradentes permaneceu com a sentença de morte, assumiu toda a culpa e responsabilidade pelo movimento que almejava a libertação de Minas e foi condenado ao enforcamento. Para conter a população e as influências lançadas pelo movimento, como forma de demonstração de ordem, poder e regulamentação da coroa, o corpo do revolucionário mineiro foi esquartejado e suas partes expostas pela cidade de Vila São José, atualmente município de Tiradentes, e outras partes expostas ao longo da Estrada Real, a mesma que levava o ouro extraído de Minas até a cidade do Rio de Janeiro. Uma curiosidade é que Tiradentes, líder do movimento da Inconfidência Mineira, trabalhou na Estrada Real e também realizou diversos discursos pelas regiões que ela abrange, buscando adeptos às idéias e ideais e reivindicando direitos inspirados na recente independência Norte-Americana e pensamentos iluministas que influenciaram também alguns países europeus, como a França. Esses conhecimentos foram adquiridos do convívio com intelectuais e aristocratas que tiveram melhores oportunidades que ele.
De acordo com depoimentos e registros históricos, José Joaquim declarava:
Esta terra há ser um dia maior que a Nova Inglaterra! Mas as suas riquezas, sós as poderão alcançar, no dia em que nos libertarmos do jugo dos portugueses para sermos os senhores da terra que é nossa... Têm Vossas Mercês aqui todo este povo açoitado por um só homem, e nós todos a chorarmos como negros – ai, ai... E de três em três anos vem um, e leva um milhão; e os criados levam outro tanto; e como hão de passar os pobres filhos da América? Se fosse outra nação já se tinha levantado!”.

Segundo historiadores, este homem corajoso se levantou a clamar por todo o Estado de Minas Gerais, morreu pela causa: “Liberdade ainda que tardia!” e contribuiu para a transformação cultural nacional e regional, transformando um lugar desprovido de direitos sociais, desenvolvimento industrial, constituição e no qual o povo sofria com os altos impostos cobrados pela metrópole, em uma república onde reina a liberdade por mais de um século.
Em Minas será celebrada, mais uma vez, a data que marcou o início do sonho da liberdade nacional e regional, embrionário em Tiradentes, mas que tomando maiores proporções é digno de ser celebrado principalmente no estado berço do revolucionário. Acontecimentos em Ouro Preto, São João del-Rei e Tiradentes, principais locais por onde se deu a história do líder e do movimento da Inconfidência Mineira, movimentam o Estado de Minas Gerais. Tradicionalmente em Ouro Preto, há a entrega da medalha da Inconfidência pelo Governador de Minas. Esta solenidade acontece com a chegada do fogo simbólico a cavalo, que a partir do dia 15 de abril estará passando por um trajeto que envolve diversos municípios mineiros até a chegada na Praça de Ouro Preto onde haverá outras celebrações e exposições artístico-culturais sobre o herói mineiro. O município de São João Del Rei participa não só da passagem do fogo simbólico, mas também dos espetáculos que encenam parte da história vivenciada há dois séculos pela cidade. O município de Tiradentes, que carrega o nome do Inconfidente honrado nesta data, não podia faltar na sua celebração, na qual irá mobilizar grande parte da cidade com mostras de cinema, bandas com apresentações musicais e concertos, escolas com manifestações educativo-culturais e aposição de flores no monumento que honra o homenageado do dia. Nos demais municípios, há também celebrações de diversos caracteres como: apresentações de bandas municipais que geralmente executam o hino nacional, declamações de poesias, mostras de cinema e outras manifestações culturais que evocam esta data de mesma importância, relembrando a história e a cultura regional, o que remete a algumas das principais características mineiras, valores e tradição.
Minas, estado de grande riqueza de idéias, além, claro, de suas reconhecidas riquezas materiais, serviu de palco e cenário para grandes carnavais, para celebrações religiosas, também para lutas e revoluções e para formação e transformação de idéias. Além disso, serviu de berço para a formação de importantes figuras do cenário brasileiro, internacional e regional. É neste mesmo estado que o mineiro Tiradentes declarou “se dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria” e a entregou pelo Brasil, ao certo, por Minas também, onde depositou sua fé e vida.

FONTE:

*Texto elaborado pela Diretoria de Informação e Fomento da Superintendência de Ação Cultural. Entre em contato caso deseje conhecer as referências utilizadas. (31) 3269-1119

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