terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Comando da PM do ES ordena serviço fora dos quartéis


MPF e MPES haviam pedido o retorno das tropas às ruas.
Órgão ainda não receberam resposta da Sesp.

Manoela AlbuquerqueDo G1 ES
O comandante geral da Polícia Militar, coronel Nylton Rodrigues, ordenou que todos os policiais foram escalados para irem às ruas a partir desta terça-feira (7). “Os policiais devem comparecer diretamente aos seus locais de serviço”, disse.
O Espírito Santo está sem a PM nas ruas porque protestos de familiares dos policiais bloqueiam as saídas dos batalhões. As famílias pedem reajuste salarial para a categoria, que é proibida de fazer greve. O estado diz que não tem caixa para bancar o reajuste. E, nesse impasse, está a população que, desde sábado (4), vive uma onda de violência com mortes, saques e assaltos.
Na segunda-feira (6), o Ministério Público estadual  notificou o comantande geral da Polícia Militar e o comando geral do Corpo de Bombeiros Militar para colocarem imediatamente a tropa na rua e restabelecer a ordem pública.
O  Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF/ES) enviou, também na segunda-feira, um ofício ao secretário de estadual de Segurança Pública, André Garcia, requisitando informações sobre a paralisação dos policiais militares para saber se havia determinação direta para que as tropas retomassem às ruas.
Até o momento o MPF/ES não foi informado sobre a ordem dada pelo comandante geral da PM. O prazo para a resposta vence no fim da tarde desta terça-feira.
Segundo o coronel, atualmente há 500 policiais, 250 homens do Exército e 200 homens da Força Nacional nas ruas. Ainda hoje, devem chegar mais 750 militares para fazer a segurança no estado.
Além dos policiais que já faziam o policiamento nas ruas, o comantande disse que os policiais em funções administrativas também vão fazer o policiamento ostensivo.
Essa foi a primeira ordem do comandante no cargo, que foi repassada aos batalhões e companhias da PM por escrito, segundo ele. Os policiais que descumprirem a ordem serão investigados.
Quanto ao movimento instalado na frente dos batalhões, o coronel classificou como irresponsável e disse que não será necessária nenhuma intervenção.

“A população está desassistida, alguns policiais estão fazendo esse movimento de maneira equivocada. Não teremos mais policiais dentro dos quartéis. Essas senhoras estarão ali, mas os policiais vão estar nas ruas”, disse.
O secretário de Segurança, André Garcia, disse que a Sesp ainda não tem um balanço dos crimes que aconteceram e que a prioridade é garantir a segurança da população. Garcia fala que os manifestantes estão sendo identificados e serão responsabilizados.

“Nós vamos fazer esse balanço e ele vai ser creditado a cada um dos responsáveis por esse movimento. Cada uma dessas mortes, cada um desses assaltos, cada um desses transtornos, e essa sensação de insegurança causada por um movimento irresponsável que trouxe o caos e tentou deixar refém a sociedade de uma questão corporativa”, declarou.
Entenda a crise na segurança no ES
– Os PMs reivindicam aumento nos salários, pagamento de benefícios e adicionais e criticam as más condições de trabalho.
– Como os PMs não podem fazer greve, as famílias foram para a frente dos batalhões para impedir a saída das viaturas policiais.
– O bloqueio começou no sábado (4) e atinge a Grande Vitória e cidades como Linhares, Aracruz, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim e Piúma. 
– Desde então, a Grande Vitória registrou 75 mortes violentas, ante 4 em todo o mês de janeiro, segundo o sindicato da Polícia Civil.
– Escolas, postos de saúde e parte do comércio estão fechados desde segunda-feira (6), quando ônibus também pararam de circular. Os coletivos voltaram a rodar na manhã desta terça (7), mas serão recolhidos novamente às 19h.
– 1.000 homens das Forças Armadas fazem policiamento na Grande Vitória desde segunda; 200 integrantes da Força Nacional começam a atuar nesta terça.
Crise no Espírito Santo - versão 2 (Foto: Arte/G1)

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