terça-feira, 1 de março de 2016

'Polícia Federal continuará com seu trabalho', diz futuro ministro da Justiça

Wellington César Lima e Silva se reuniu com José Eduardo Cardozo.
Troca no comando da pasta foi alvo de críticas de integrantes da oposição.

Flávia Alvarenga e Ana Paula AndreollaDa TV Globo, em Brasília

Um dia após ser anunciado para o Ministério da Justiça, Lima e Silva se reuniu com o atual chefe da pasta, José Eduardo Cardozo, para tratar da transição. Ele ficou cerca de duas horas com o antecessor na sede do ministério. A previsão é de que a cerimônia de posse ocorra até quinta-feira (3).
A ida de Cardozo do Ministério da Justiça para a Advocacia-Geral da União (AGU) gerou controvérsias entre oposicionistas e integrantes da base aliada.
Nesta segunda-feira (29), logo após o Palácio do Planalto confirmar a dança de cadeiras no primeiro escalão, governistas afirmaram considerar a mudança "normal" e "de rotina". Já integrantes da oposição se disseram preocupados com a troca, sugerindo haver interesse do governo em controlar a Polícia Federal, especialmente por conta das investigações da Operação Lava Jato.
"As instituições do Brasil estão maduras a ponto de não sofrerem alterações com mudanças dos atores. A Polícia Federal continuará com seu trabalho como tem desenvolvido até hoje", disse o futuro ministro da Justiça ao deixar o prédio do ministério na companhia de José Eduardo Cardozo.
Indagado sobre se pretende promover mudanças na cúpula da Polícia Federal, Lima e Silva se limitou a dizer que, no curto prazo, não planeja fazer nenhuma alteração. O futuro titular da Justiça chegou, inclusive, a elogiar a atuação do atual diretor-geral da PF, Leandro Daiello, que está à frente da corporação desde 2011.
"Nós não temos nenhum indicativo de mudança imediata. Tive uma reunião com o ministro José Eduardo Cardozo e com o diretor-geral Leandro [Daiello]. Tive a melhor das impressões e a única palavra é tranquilidade e normalidade. E seguimos o nosso trabalho", respondeu.
Membro do Ministério Público da Bahia, Lima e Silva foi indicado para a Esplanada dos Ministérios pelo chefe da Casa Civil, Jaques Wagner. À época em que estava à frente do governo baiano, Wagner escolheu Lima e Silva duas vezes para o cargo de procurador-geral de Justiça. Na primeira ocasião, o futuro ministro havia ficado na terceira colocação da lista tríplice apresentada por promotores e procuradores ao governador da Bahia.
Ao ser questionado nesta terça sobre sua relação com Jaques Wagner, Lima e Silva destacou que é "uma relação de amizade, cooperação e colaboração republicana".
Pedido de Dilma
O futuro ministro também foi indagado por repórteres sobre se a presidente Dilma Rousseff havia lhe feito algum pedido específico.

Ele evitou relatar o teor da conversa com a nova chefe, mas disse que, na visão dele, homens públicos "cumprem o que a Constituição determina".
"A minha compreensão é que homens públicos, que ocupam determinadas funções, eles não necessariamente atendem pedido algum, eles simplesmente cumprem o que a Constituição determina e o que a instância judicial do país também determina", enfatizou.
Entidades de classe
Além das críticas da oposição, a troca de Cardozo por Wellington César Lima e Silva gerou reclamações de entidades de classe ligadas à Polícia Federal. Associações que representam delegados e agentes apontaram "risco" e manifestaram "preocupação" com a mudança no comando do Ministério da Justiça.

O futuro ministro comentou nesta terça-feira as manifestações das entidades. Lima e Silva disse encarar com "naturalidade" as críticas.
O futuro integrante do governo, entretanto, destacou que, "em pouco tempo", as pessoas que estão questionando a alteração se darão conta que as reclamações são "injustificadas".
"Vejo com naturalidade, houve entidades favoráveis, outras que revelaram natural preocupação. Acho que essa preocupação é compreensível, e eles verão em pouco tempo que ela é injustificada."

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